Aprender de novo o que já sabemos

“Adquire sabedoria, adquire inteligência, 
não te esqueças nem te desvies dos meus conselhos.
Não abandones a sabedoria e ela te guardará; 
ama-a e ela te protegerá.

Eis o princípio da sabedoria: adquire a sabedoria! 
Mesmo à custa dos teus bens, adquire a inteligência!
Tem-na em grande estima, e ela te exaltará,glorificar-te-á, se a abraçares.”
Proverbios 4, 5-8

“Se algum de vós tem falta de sabedoria, que a peça a Deus, que a todos dá generosamente e sem recriminações, e ser-lhe-á dada. Mas peça-a com fé e sem hesitar, porque aquele que hesita assemelha-se às ondas do mar sacudidas e agitadas pelo vento.”
Tg 1,5-6

 

Deus dá-nos um conhecimento novo e mais profundo sobre as coisas. Há coisas que já sabemos, mas que podemos conhecer de uma maneira nova, profunda e refrescante para a nossa vida. A principal novidade desta outra maneira de conhecer, que baixa da cabeça para o coração (do intelecto para o emocional) é que a nossa forma de atuar, de fazer de dizer, de viver, muda. Somos os mesmos, sabemos o mesmo, mas o facto de o sabermos de outra maneira muda-nos. Somos os mesmos, mas algo mudou em nós. Aprofundamos o conhecimento que temos, somos mais meigos connosco próprios, ponderamos melhor as nossas ações, somos mais efetivos nas convicções e vivemos mais em paz connosco e com os outros.

Dizemos muitas vezes que “O Segredo da Felicidade é uma existência agradecida”. Que isto é verdade nenhum de nós tem dúvidas, mas quantas vezes realmente consigo viver o momento que estou a viver e agradecer tudo o que tenho?

Ajuda-nos Senhor a acordar todos os dias com esta disposição de nos entregarmos à vida para a vivermos o melhor possível.

Na sociedade atual vivemos constantemente insatisfeitos. Queremos sempre ir mais além. Isto é bom desde que esta insatisfação não nos tire a alegria de viver o tempo presente e de saborear aquilo que já temos. Querer alargar o espaço da nossa tenda para albergar mais uns quantos também é bom, desde que não nos esqueçamos daqueles que já a habitam.

“Alarga o espaço da tua tenda, sem olhar a despesas, estende sem medo as cortinas das tuas moradas; alonga as cordas, reforça as estacas, porque vais expandir-te para a direita e para a esquerda: a tua descendência conquistará as nações e povoará as cidades abandonadas.”
Is 54, 2-5

Nós, seres humanos, somos lentos e vivemos num mundo acelerado que nos atropela. As grandes mudanças que fazemos e vivemos por dentro, são lentas e demoradas, precisam de tempo para sedimentar e se solidificarem no nosso coração.

O mundo acelerado que nos atropela é o contrário deste dinâmica de passos lentos e curtos. Pensamos que basta carregar num botão para ser felizes, mas não encontramos a felicidade aí. A felicidade trazemo-la sempre connosco, está sempre em nós. É o mundo acelerado que nos distrai e nos faz esquecer essa felicidade que faz parte da nossa natureza. Deus fez-nos para vivermos felizes, foi essa a identidade que ele gravou no nosso coração.

Rezar, pormo-nos diante de Deus como seus filhos muito amados, ler a sua palavra, esperar lentamente que o nosso espírito atribulado se pacifique para reconhecer a sua presença na brisa suave do dia. Lentamente, muito lentamente vamos descobrindo a presença de Deus na nossa vida, nos caminhos que percorremos, nos outros que nos acompanham e dentro da paz e felicidade que ele deixou em cada um de nós.

Lentamente, muito lentamente, vamos aprendendo a descobrir a simplicidade da vida. A pressa é de facto inimiga da perfeição e da alegria de viver bem. Temos assim cada dia de escolher e dizer não aquilo que não posso ou não quero viver. Para ultrapassar o que São Paulo nos diz em Rom 7,19 “É que não é o bem que eu quero que faço, mas o mal que eu não quero, isso é que pratico.”
Que Deus nos Dê a sabedoria para que assim não seja..

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