«Como hão de acreditar n’Aquele de quem não ouviram falar?»

30 de novembro. Mais um ano quase a terminar… Mais um advento e um Natal à porta… Mais um novo ciclo …
Às vezes, sinto-me esmagado com a velocidade a que tudo parece acontecer hoje em dia… E às vezes – que contrassenso! – parece que sou eu que fujo de parar…
Assim chego a ti, Jesus, com as minhas pressas, as minhas preocupações, as minhas sedes de eficácia… Com a minha pobreza, os meus egoísmos, a minha pouca fé, a minha treva…
Obrigado, porque sei que nada disto te choca. Sei que é assim que me queres, na minha verdade, para que aí, onde estou, possa haver aquele encontro que me reconecta com a luz que também me habita, aquele encontro que reacende o teu dom que há em mim.


Hoje, celebramos a memória de Santo André e as leituras são muito ricas!
Da primeira leitura (Rom 10, 9-18):
(…) Não há diferença entre judeu e grego: todos têm o mesmo Senhor, rico para com todos os que O invocam. Portanto, todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Mas como hão de invocar Aquele em quem não acreditam? E como hão de acreditar n’Aquele de quem não ouviram falar? E como hão de ouvir falar, se não houver quem lhes pregue? E como hão de pregar, se não forem enviados? (…)
Do Evangelho (Mt 4, 18-22)
Caminhando Jesus ao longo do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores. Disse-lhes Jesus: «Vinde e segui-Me e farei de vós pescadores de homens». Eles deixaram logo as redes e seguiram-no.


Obrigado, Jesus, por todas as pessoas que me falaram de ti! Especialmente, por aquelas que me ajudaram a conhecer-te – e ao Pai – como um Deus próximo, amigo, companheiro, preocupado com a minha felicidade, que me ama sem medida e que me confia o mundo! Recordo nomes, rostos, conversas, gestos, silêncios partilhados… Continua, Jesus, a reacender o teu dom em todas essas pessoas.
Obrigado, também, porque a tua proposta é clara desde o início: desde o convite aos primeiros discípulos que o que nos propões é sermos discípulos missionários, é viver em saída, a caminho, ao encontro… Propões-nos uma felicidade necessariamente partilhada, convidas-nos a viver uma vida que se faz na relação, no estar com. A tua proposta é para todos, através de todos… E se assim é, ninguém está de fora de se saber filho muito amado, nem ninguém está de fora de o poder anunciar. Tu próprio não escolheste grandes sábios, mas simples pescadores…
Obrigado, Jesus, por me recordares que a minha principal missão é ser “pescador de homens”… E “pescar” não é “angariar adeptos para o clube”, nem “partidários para a causa”… “Pescar” é “retirar do mar” (do caos, da confusão, da dúvida, do erro)… “Pescar” é “dar vida”, é dar possibilidade e esperança ao outro…


Jesus, ajuda-me, hoje, a demorar o olhar naqueles que cruzam os meus dias. Que a preocupação (legítima) de cumprir bem as tarefas que me tocam, não me afaste do essencial. Mantém-me suficientemente disponível e unido a ti para perceber de que palavra, de que gesto, de que silêncio precisa o outro, para se sentir digno, valorizado, querido, capaz, conhecido, amado, motivado, … para se sentir “pescado” pelo teu amor, para sentir “reacendido” no dom de ti que transporta em si.

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