“Expandir o olhar”

“Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão. Era justo e piedoso. Esperava a consolação de Israel e o Espírito Santo estava com ele. O Espírito Santo tinha revelado a Simeão que não morreria sem primeiro ver o Messias prometido pelo Senhor. Movido pelo Espírito, Simeão foi ao Templo. Quando os pais levaram o Menino Jesus, para cumprirem as prescrições da Lei a seu respeito, Simeão tomou o Menino nos braços e louvou a Deus, dizendo: «Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar o teu servo partir em paz. 30 Porque os meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos: luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel». O pai e a mãe estavam maravilhados com o que se dizia do Menino. Simeão abençoou-os e disse a Maria, mãe do Menino: «Eis que este Menino vai ser causa de queda e elevação de muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. Quanto a Ti, uma espada há-de atravessar-Te a alma. Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações».”
Lc. 2, 25-35


Interrogo-me sobre o que é que o Simeão viu que lhe deu paz em relação ao futuro, em relação a si, aos outros e ao mundo. Simeão não vai ver nada da salvação mas o que viu bastou para ficar sereno. O que viu?

Viu um menino! E nisso viu que Deus se fazia homem num gesto de se abaixar ao nosso nível, de se fazer o mais próximo que era possível, de se fazer igual a nós para descobrir e ensaiar connosco a salvação. Aquele menino era a prova de que Deus não nos tinha abandonado, que Ele estava presente, atuando e vigilante. Não se escapava das suas mãos as nossas vidas.

Viu uma família! E que Deus se servia desta célula da sociedade, que nos mostrava que era amando-nos como comunidade que se salvava o mundo,

Fico perturbado porque o que Ele via era tão simples, tão insignificante, com tão pouco poder que eu interrogo-me sobre como descobriu ele que era aquela a solução de Deus?
Porque não pareceria suficiente. Mas se calhar por isso era tão extraordinário. Realmente eu tenho sempre o desejo de ver já tudo solucionado e estou a espera de algo grande, imponente e poderoso. Mas Simeão viu algo normal, que era o princípio de um processo, que por ser tão normal poderia funcionar, e que era um sinal tão humano e próximo que só poderia resultar.
Um fiozinho de água fura melhor uma parede que um martelo. E é mais eficaz a encontrar o caminho para atravessar a parede.

Como é importante expandir o meu olhar, eu não teria visto o mesmo que Simeão, eu não entenderia que ali estava a salvação, como posso preparar e treinar o meu olhar?

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