«Jesus levantou os olhos e viu uma viúva muito pobre deitar duas pequenas moedas na arca do tesouro»

Bom dia Senhor, quero pedir-te a graça de conseguir nestes minutos de oração abrir-me à tua presença. Dá-me Senhor serenidade e paz interior para escutar o que me queres dizer. Coloco nas tuas mãos neste momento todas as minhas preocupações, tristezas ou alegrias.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 21, 1-4
Naquele tempo, Jesus levantou os olhos e viu os ricos deitarem na arca do Tesouro as suas ofertas. Viu também uma viúva muito pobre deitar duas pequenas moedas. Então Jesus disse: «Em verdade vos digo: Esta viúva pobre deu mais do que todos os outros. Todos eles deram do que lhes sobrava; mas ela, na sua penúria, ofereceu tudo o que possuía para viver».


Ao ler esta leitura e procurando fazer uma composição de lugar, isto é, procurando entrar como observador dentro do episódio narrado, consigo imaginar Jesus sentado com os discípulos a conversar como outras tantas pessoas que se encontravam naquele lugar. Depois Jesus desvia o olhar e observa. Observa não com um olhar superficial de quem simplesmente quer captar o “momento” ou até com um olhar inquisidor à procura de quem está em falta com algum preceito instituído para aquele local. Aqui via muitas vezes a forma como estou no relacionamento com os outros variando entre cada um destes registos conforme me convém. O olhar de Jesus ilustra de forma inequívoca como “estar de fora estando dentro” com duas atitudes. A primeira é olhando para a realidade concreta de cada pessoa e criando empatia. No caso da viúva, Jesus percebeu como seria a sua vida e a importância daquele gesto como sinal da sua fé e também do seu sacrifício. Senhor, será que eu estou atento o suficiente nas minhas relações pessoais para cultivar esta empatia que me permita ver a realidade dos outros para além do “Eu estou bem, e contigo vai tudo bem?”. Faço um esforço para assimilar algo mais do que a resposta verbal muitas vezes “automática” que recebo do outro? A segunda atitude é que Jesus não condena. De facto, podia ter dito que “todos os outros” não se salvam porque não fazem o justo sacrifício que ele observava na viúva. Jesus respeita a medida de cada um. Mas também sabe que eles perdem, pois, a sua auto-suficiência torna mais difícil valorizarem tudo o que receberam de graça e compreenderem o quão frágil é a vida humana ao contrário do que revela a condição da viúva que oferece tudo o que tem a Deus. Senhor, como posso ser mais respeitador “da medida de cada um” à maneira de Jesus? Penso em alguém em concreto nas minhas relações que já “dou como caso perdido” e para o qual Deus me pede para ir mais além?


Jesus agradeço-te a vida e seres um amigo fiel. Que eu consiga inspirar-me no teu exemplo procurando olhar os outros mais para além dos seus gestos, dos seus modos de vestir ou da sua condição, tal como Tu o fizeste quando olhaste para aquela viúva.

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