«Tinham medo de O interrogar sobre tal assunto…»

Olá, Jesus! Sabes que nem sempre é fácil parar para estar contigo… Levamos, dentro de nós, tanta pressa de fazer coisas, que só a ideia de parar parece que nos assusta…
Outras vezes, estamos tão “noutra onda”, que parece que o que nos dizes “bate ao lado” do que vivemos… parece que não “encaixa”, que não se adequa à nossa realidade…
Pois é, mas é por isso mesmo que é tão importante dar-te e dar-me tempos para estar contigo… para que não percamos a “sintonia”, a proximidade, como dois bons amigos que se querem acompanhar na vida… para que Tu me vás contagiando o teu jeito de olhar o mundo e eu não perca o à vontade de te pedir que me expliques o que me custa a entender…


Hoje, Jesus, desafias-me a mais um encontro verdadeiro contigo em Lc 9, 43b-45:
Naquele tempo, estavam todos admirados com tudo o que Jesus fazia. Então Ele disse aos discípulos: Escutai bem o que vou dizer-vos. O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens». Eles, porém, não compreendiam aquelas palavras; eram misteriosas para eles e não as entendiam. Mas tinham medo de O interrogar sobre tal assunto.


Há duas coisas que me interpelam nesta passagem, Jesus.
A primeira é falta de coragem dos discípulos para te questionarem sobre o que não compreendiam. Não os condeno. Pelo contrário, vejo-me espelhado neles.
Acredito que eles foram ganhando confiança para um diálogo mais franco e aberto contigo, possivelmente impulsionados pelos mais afoitos, como Pedro…
Jesus, eu não quero ter contigo uma relação de aparência, conveniência, nem tão pouco de “cerimónia”. Faz-me mais consciente do que a tua palavra provoca em mim… sentimentos, ideias preconcebidas, receios, …. Ajuda-me a partilhá-los contigo sem medo, com toda a confiança.
O segundo ponto que me interpela é a dificuldade dos teus amigos mais próximos em acreditar em ti sem condições, quando o que dizes lhes soa inesperado ou “descabido”. Mais uma vez, revejo-me nesta dificuldade.
Imagino que lhes foi fácil – como é para nós – entusiasmarem-se com os teus gestos de atenção aos mais fracos, com o teu olhar que devolvia a todos dignidade e esperança, com o teu amor incondicional. Mais difícil é aceitar que um amor assim não vem sem esforço, sem dor, sem perda, sem “morte”. Deve ter sido um processo lento, que muitos só terão começado a compreender depois da tua ressurreição.
Que situações de “morte” estou a viver? Que dificuldades experimento? Que relações estão mais tensas? O que me está a exigir mais esforço?
Dialogo (o suficiente) contigo sobre isto, Jesus? Partilho contigo as minhas dificuldades em acreditar ou concretizar um amor como o teu?


Jesus, obrigado por seres frontal. Obrigado por me convidares a sê-lo também. Contigo, comigo próprio e com os outros.
Obrigado porque a tua frontalidade não é um fim em si mesma, mas uma possibilidade para me manter aberto à vida, que tantas vezes se esconde onde menos esperamos.

Os comentários estão encerrados.